"As relações públicas agem sobre a compreensão do papel dos diferentes
actores do processo da justiça e sobre as modificações necessárias para os cidadãos se
tornarem actores de comportamentos mais justos quer por se recusarem a legitimar os
julgamentos em praça pública, por agirem no estrito cumprimento e respeito pela lei ou por
advogarem em favor da mudança de leis injustas."
in Carta para uma melhor Comunicação da Justiça
A Carta para uma melhor Comunicação da Justiça, que foi apresentada no X Encontro do Departamento de Comunicação Organizacional encontra-se disponivel neste blog, na barra lateral esquerda, por baixo da lista de links.
Poderá também ser consultada através do seguinte link:
http://h1.ripway.com/ericanrodrigues/car
Algumas instituições como a Comunidade Vida e Paz estão a recolher meias de homem e de senhora quentinhas, para ajudar quem vive nas nossas ruas a aguentar as noites mais frias.
Era bom que hoje cada um e nós levasse um (ou 2 ou 3...) pares de meias novas ou quase... S
Juntamos todas no jantar, e assim estamos a participar e outra forma no contexto da comunicação e da "justiça".
Obrigada!
A comissão organizadora
“O porta-voz dos McCann alegou que os constrangimentos da lei portuguesa não lhe permitem falar mais sobre o caso, referindo que os media deviam deixar de lado as "infundadas especulações que se verificaram nos últimos dias" para se voltar a centrarem no essencial: as buscas por Madeleine.”
In Expresso, 18 de Setembro de 2007
Quando, no dia 3 de Maio, os telejornais abriam com a notícia de uma menina Inglesa que tinha desaparecido na Praia da Luz, ninguém calculava o alvoroço que este alegado rapto provocaria um pouco por todo o mundo.
O caso de Maddie rapidamente atinge uma notoriedade nunca antes alcançada num caso semelhante, e tudo graças a uma estratégia de comunicação coerente e bastante forte. Muito instruídos, Kate e Gerry McCann contrataram um assessor de imprensa que levou a fotografia de Maddie às primeiras páginas dos principais jornais e revistas no mundo inteiro. Entre um site que obteve mais de 5 milhões de visitas e recebeu quase 2 milhões de Euros para continuar a busca por Maddie, e peregrinações à igreja da luz em que o casal, sempre de mão dada, se fazia acompanhar pela solidariedade popular portuguesa, muitas foram as “jogadas” que se podem relacionar com a estratégia de comunicação levada a cabo desde os primeiros dias de desaparecimento da menina.
Não estando em causa quem é ou não culpado, nem estando em questão duvidar dos sentimentos dos pais relativamente à perda da sua primogénita, a verdade é que para um olhar mais atento todo o caso Maddie está cheio de contornos bem programados e encenados.
Desde o inicio, Kate aparece sempre em público com um laçono cabelo, verde, cor da esperança. Cada vez mais magra, leva para todo o lado o peluche favorito de Madeleine. Sempre de mãos dadas, Kate e Gerry viajam pela Europa à procura de Maddie, espalhando fotografias. São inclusive recebidos pelo Papa no Vaticano, que abençoa a fotografia da menina e lhes deseja a maior sorte. Ambos mostram-se cooperativos nas investigações e dão entrevistas e fazem comunicados à imprensa em datas por eles escolhidas.
De repente dá-se uma reviravolta na história. Os pais tornam-se nos principais culpados e surge uma noticia: Clarence Mitchell, ex-representante do Governo Britânico, demite-se e passa a representar o casal McCann. De uma postura pró-activa, Kate e Gerry adoptam uma postura pouco colaborante e defensiva. Fiquei com a impressão de que foi tudo um exercício de relações públicas para conseguirem simpatia”, comenta Don Cargill, presidente do NADAC e da “British and European Polygraph Association”.
Passados quase 7 meses, o caso Maddie tem tido uma exposição mediática diária e ininterrupta. Apesar de alguns altos e baixos, a atenção prestada à história começada em Portugal e levada além fronteiras continua, e o caso Maddie mostra que uma boa estratégia de comunicação pode fazer com que um caso de rapto aparentemente insolúvel permaneça na agenda mediática durante sete meses.
Será que se os pais da Maddie não tivessem apostado na comunicação, a menina inglesa continuaria a ser procurada? Ou teria caído em esquecimento tal como todos os outros meninos desaparecidos?
E a policia judiciária portuguesa? Será que também teria beneficiado com uma estratégia de comunicação que lhe permitisse evitar as criticas nos tablóides britânicos?
Erica Rodrigues
4º Ano
Na quinta-feira passada o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, em entrevista à revista Visão, teceu críticas profundas ao Governo, sobre a proposta de lei nº152/X. Segundo o PGR esta lei equiparará os magistrados aos funcionários públicos, colocando os tribunais sobre “tutela ministerial”. Pinto Monteiro declarou ainda que não aceitará “ser um procurador-geral dependente do poder político” e que, contrariamente ao que tem vindo sempre a defender, a autonomia da Ministério Público “pode estar em perigo”.
Estas criticas do procurador-geral da República levantam questões sérias relativas à democracia, nomeadamente a perda de independência dos tribunais. Num Estado democrático é fundamental a separação dos três poderes. Uma tomada de decisão de um juiz deve ser imparcial tendo em conta a Constituição e a lei e sem pressões económicas e políticas.
“O público não quer a verdade, mas a mentira que mais lhe agrada. Acresce que a verdade (…) é sempre complexa. Ora o público não compreende ideias complexas. É preciso dar-lhe só ideias simples, generalidades vagas, isto é, mentiras, ainda que partindo de verdades; pois dar como simples o que é complexo, dar sem distinção o que cumpre distinguir, ser geral onde importa particularizar, para definir, e ser vago em matéria onde o que vale é a precisão – tudo isto importa em mentir”
Fernando Pessoa
(Retirado de “Justiça e Comunicação Social” – discurso proferido pelo Dr. António Manuel Clemente Lima no Centro de Estudos Judiciários em 2006)
Nós já estamos habituados a ler nos jornais e a ouvir na televisão o que não se consegue ler nos processos. Nos países onde existe liberdade de imprensa, a relação entre a justiça e a comunicação social tem sido marcada por tensões e conflitos. Se por um lado os jornalistas tentam romper as restrições no acesso à informação, por outro a justiça tenta manter o “segredo de justiça”, defendendo-se da invasão mediática. Efectivamente o tempo dos meios de comunicação (imediato e instantâneo) contrasta com o tempo da justiça (tempo de reflexão e apreciação).
Apesar de tão diferentes, os jornalistas e juízes têm algo em comum: ambos exigem um exercício imparcial por parte dos profissionais que a praticam e ambos emitem, de certa forma, juízos. Creio que tudo combinaria na perfeição se os jornalistas não tentassem ser juízes.
Digo isto porque a busca incessante pela novidade por parte dos media e com a mediatização dos processos judiciais, o poder judicial tem-se tornado palco de espectáculos recheados de escândalos e especulações que têm não só banalizado a justiça como associado a ela uma imagem emocional que não se pretende. Face a esta situação, que parece descontrolada, o papel das relações públicas torna-se fundamental para reposicionar a imagem do sistema da justiça junto da sociedade, (re)lembrando sempre a importância que as instituições da justiça têm no regime democrático. Ao tornar a actuação mais clara, transparente e acessível à população, respeitando sempre a natureza da justiça, acredito que as RP irão conseguir inverter a tendência que descrevi.
Na impossibilidade de provar, os jornalistas procuram convencer. No exercício da sua profissão os juízes são frequentemente confrontados com sentenças que lhes são antecipadamente oferecidas e “impostas” pelos meios de comunicação. Como consequência existe o perigo de coacção psicológica dos media sobre os juízes e agentes da polícia, pelo que se torna importante pôr “ordem na casa”.
Com isto quererei dizer que a comunicação social deve desligar-se da Justiça?
Não, nada disso. À partida parece-me que a mediatização da justiça nada tem de ilegítimo porque a actividade judiciária pertence à sociedade e, como tal, não deve viver num mundo fechado, isolado do resto do mundo. A linguagem técnica, erudita e hermética da justiça acaba por comprometer a sua compreensibilidade e é neste sentido que o papel do jornalista se torna fundamental para a sociedade, pois cabe a estes profissionais a importante tarefa de descodificar essa linguagem, tornando-a compreensível para todos. Mas mais do que meros “tradutores” os meios de comunicação social também desempenham um papel fundamental na exigência de transparência do sistema judicial e no combate à corrupção. Segundo o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, «A liberdade de imprensa proporciona à opinião pública um dos melhores meios para conhecer e julgar as atitudes dos dirigentes». Por isso mesmo, os jornalistas não devem ser servis. Pelo contrário, devem praticar um jornalismo intransigente em relação às falhas dos Magistrados e dos Polícias, desempenhando assim uma das funções que lhes cabe num Estado de Direito. No entanto, parece-me que não podemos deixar na mão dos jornalistas a exclusividade desse papel, pois nesse caso estaremos a deixar tudo como está.
Se pensarmos no caso “mais-que-mediático” de Madeleine McCann sob o ponto de vista da comunicação (ou da ausência dela), verificamos que a inexistência de uma política de comunicação estratégica pode levar uma situação a contornos descontrolados. O “diz-que-se-disse” e o uso e abuso de “fontes anónimas” por parte dos jornalistas que, em muitos casos, dizem provir das próprias instituições da justiça tem de parar. Foi uma vergonha assistirmos às manchetes inglesas que não pouparam esforços em culpabilizar e denegrir a imagem da polícia portuguesa e que, perante tudo isto, a PJ limitou-se a agir de forma reactiva e pouco estruturada. É certo que em Portugal a polícia não tem autorização para divulgar informações enquanto a investigação decorre mas o preço do silêncio parece ser alto demais.
Foi preciso surgir um caso insólito (e mediático) como este para que se desse atenção ao facto das instituições da justiça precisarem de comunicar de forma estratégica e pró-activa. Resta apenas saber se a ponte entre o “saber” e o “fazer” será mais ou menos distante.
O Encontro é o primeiro passo…
Filipa Cerejeira
4º Ano
Chegado o dia podia ver-se na cara de todos nós um nervoso miudinho e uma expectativa crescente. Havia pormenores para ultimar ainda naquela manhã e havia uma grande força de vontade de todos nós para que tudo corresse pelo melhor. E assim foi: no final do dia, já todos mais cansados e muito menos ansiosos, pudemos comprovar que o Encontro correu pelo melhor!
Na organização de um Encontro como este há sempre coisas que correm bem e outras que nem por isso. É verdade que o nervoso miudinho acompanhado na mesma medida pela ânsia e excitação de ver o Encontro a decorrer são constantes. Fazem bem, podemos dizê-lo. Será que vai correr tudo bem? Se falta comida? Se faltam oradores? Se as pessoas não gostam? Dúvidas que nos atormentam mas que fazem com que tentemos fazer tudo pelo melhor e com que demos o nosso melhor.
César Neto, Patrícia Mourato e Vera Ferreira,
em nome de todos os alunos que pertenceram à Comissão Organizadora do Encontro
No seguimento destas reflexões respeitantes ao percurso das RP em Portugal, importa considerar algumas iniciativas já levadas a cabo. A sua importância não está nos resultados obtidos, pois foram, até à data, infrutíferos, mas sim no reconhecimento do que pode ser feito a partir daqui.
Na curta história da acreditação em Portugal várias petições foram já endereçadas a quem de direito, sem no entanto se conseguir algo de novo para contar. Os primeiros documentos, anteriores a 2000, foram enviados primeiramente pela SOPREP e depois pela APREP. No ano de 2000, em resultado do VII Encontro de Relações Públicas do ISMAI, foi enviada uma petição assinada por mais de 200 interessados, reclamando o reconhecimento formal e oficial da profissão de Relações Públicas.
Logo em 2001, nova petição é enviada, desta vez em resultado de uma série de encontros realizados em Lisboa e no Porto, em que estiveram envolvidas a APCE, a SOPCOM e a APECOM.
Em qualquer um destes momentos foi exigida uma institucionalização da profissão de RP, à semelhança dos modelos já levados a cabo pelo Reino Unido, a Espanha, a França, etc. Os resultados ainda hoje se fazem esperar.
Breve História da Legislação Brasileira
O governo reconheceu que sob a lei de 1967, os profissionais de relações públicas só seriam acreditados se exercessem a profissão desde 1965, fossem membros da ABRP e se a sua principal fonte de rendimento fosse proveniente do exercício desta actividade. Em 1969, designou-se que só poderiam obter acreditação os profissionais com grau universitário na área da comunicação e com ênfase nas RP e que tivesse sido atribuído por uma instituição nacional reconhecida ou que possuíssem uma graduação no estrangeiro que estivesse devidamente validada no Brasil pelo Ministério da Educação.
A lei manteve-se inalterada por mais de três décadas, embora o Brasil tenha sofrido drásticas transformações, especialmente durante os anos 80 e 90. Passou de um regime militar opressor a uma democracia com uma sociedade civil cada vez mais activa. Os consequentes progressos políticos, económicos e sociais desta transição têm servido de argumento a várias associações de RP para que a lei seja revista.
Em 1998, foi esboçado um conjunto de alterações à lei, como resultado de um Parlamento Nacional (1992-1997) promovido pelo Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas (CONFERP). Este debate consistiu numa análise dos problemas e incertezas de uma profissão que luta para manter transparentes as relações entre as organizações e os seus públicos.
Embora a situação nos últimos anos tenha evoluído bastante e as Relações Públicas no Brasil tenham um estatuto legal definido, a profissão ainda não adquiriu na sociedade civil o reconhecimento desejado.
A PRSA, Public Relations Society of America, criou o único programa de certificação profissional de que dispõem os profissionais de relações públicas até ao momento, a APR (Accreditation in Public Relations). A administração deste programa cabe actualmente à UAB (Universal Accreditation Board), entidade criada em 1998.
A APR testa e avalia as competências e os conhecimentos dos candidatos na área das RP. As etapas para conseguir um certificado passam pela aprovação nos seus exames escrito e oral.
As candidaturas são voluntárias e, quanto aos candidatos aprovados, é-lhes reconhecido pela APR um elevado nível de conhecimentos, competências e habilidades, garantindo também um elevado grau de experiência profissional.
A passagem de administração da APR do seu organismo criador para o UBA suscitou a satisfação de alguns profissionais, contrastando, ainda assim, com as críticas de outros perante as mudanças que tal processo introduziu.
Blake Lewis, Presidente do Comité da Acreditação Universal, é um claro defensor desta mudança. Considera que o Comité não só “modernizou” o exame do APR como o tornou mais objectivo e flexível, explicando a Acreditação e construindo, assim, um apoio e reconhecimento mais claros junto de múltiplas audiências. Ao tentar dar resposta a um conjunto de questões colocadas pelos empregadores a este respeito (qual o valor da acreditação? será que um trabalhador acreditado tem mais valor?) a UAB satisfaz, desta forma, a necessidade de uma acreditação consolidada para as RP, lançando as bases para uma maior visibilidade da credencial APR no mercado.
Importa, ainda assim, considerar o lado oposto da questão. Profundo crítico da actual administração da APR, Jack O’Dwyer tem utilizado o seu site, disponível em http://www.odwyerpr.com/, para dar visibilidade à ideia de APR deve voltar a ser administrada pelo seu organismo criador, a PRSA, e que o UAB deve ser extinto. Esta opinião é partilhada por um conjunto de outros profissionais de quem O’Dwyer tem sido a voz.
Ele advoga que os membros da UAB registam uma baixa adesão à APR enquanto que os membros da PRSA têm sido sobrecarregados com um aumento de custos na sua adesão. Por esta razão defende que apenas os membros da PRSA deviam ter acesso à Accreditation in Public Relations.
Os maus resultados financeiros do UAB são também alvo das críticas de O’Dwyer, já que entre 1997 e 2000 o valor do prejuízo duplicou. O facto de qualquer pessoa poder concorrer à APR, independentemente da sua experiência profissional, é outro erro, a seu entender.
. ESCS
. Associação Portuguesa das Empresas de Conselho em Comunicação e Relações Públicas
. Associação de Relações Públicas de Portugal
. Associação Portuguesa de Estudantes de RP e Comunicação
. Associação Portuguesa de Comunicação de Empresa
. Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação
. Chartered Institute of Public Relations
. Council of Public Relations Firms
. Euprera
. Florida Public Relations Association
. Institute for Public Relations
. International Association of Business Communicators
. International Public Relations Association
. Middle East Public Relations Association
. O'Dwyer's Public Relations News
. Public Relations Association of Mississipi
. Public Relations Consultants Association
. Universal Accreditation Board
. Blogs
. Toni's blog - Public Relations in the world